
Fonte: Kevin Dietsch/Getty Images/AFP
A incerteza sobre a participação do Irã na 23ª Copa do Mundo que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá entre junho e julho de 2026 alimenta há meses especulações sobre seu desfecho. Essa dúvida é reflexo direto da instabilidade geopolítica mundial após os intensos ataques dos Estados Unidos e de Israel a bases militares e governamentais iranianas em 28 de fevereiro, ofensiva que resultou em inúmeras mortes, incluindo a do líder Ali Khamenei.
Ao longo desse período, muito se debateu acerca dos crimes de guerra de americanos e israelenses. Um dos episódios mais trágicos foi o bombardeio a uma escola feminina, que vitimou 168 meninas. Em uma homenagem emocionante, os jogadores iranianos entraram em campo para um amistoso contra a Nigéria na Turquia em 27 de março carregando mochilas infantis, um gesto simbólico que rodou o mundo.
Nesse cenário de tensão, a FIFA, sob o comando de Gianni Infantino, protagonizou um momento controverso ao conceder um inédito “Prêmio da Paz” a Donald Trump durante o sorteio dos grupos para a Copa do Mundo. O evento gerou profundo constrangimento na comunidade esportiva, dado o histórico de Trump em incitar e iniciar conflitos. Embora o regimento da FIFA pregue a neutralidade política, a história mostra que futebol e política são indissociáveis. Essa conexão consolidou-se na gestão de João Havelange (1974–1998), que transformou a entidade em uma potência comercial e globalizada.
Infantino é herdeiro direto desse modelo de gestão, focado na rentabilidade sob o pretexto do desenvolvimento esportivo. A escolha dos Estados Unidos como sede principal foi consolidada durante seu mandato, visando o vasto mercado consumidor americano e coincidindo com o primeiro período de Trump na presidência. Agora, em um novo mandato do republicano, Infantino busca equilibrar o desejo de realizar a maior Copa em federações participantes com as instabilidades geradas pelas políticas de guerra e migração de Trump.
O imbróglio nas mãos do italiano não é fruto de ingenuidade, mas de uma estrutura forjada pela própria FIFA em busca de lucros. O caso do Irã é apenas o mais recente em uma lista de crises que a entidade tenta mitigar. Num congresso da entidade, o dirigente tentou, sem sucesso, ao tentar promover um aperto de mão simbólico entre as federações de Israel e da Palestina, resultando em mais um momento de tensão diplomática. Resta saber como se dará o desfecho dessa crise com o país persa e em que condições ele entrará em campo. Essa situação só reforça novamente a intrínseca conexão entre o futebol e a geopolítica mundial e a importância em estar atento a todos os detalhes do jogo dentro e fora de campo.
