O BRASILEIRÃO… DA BAIXADA

O Brasileirão da Baixada é o principal torneio amador da região da Baixada Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, organizado pela Associação de Clubes de Futebol de Belford Roxo (ACFBR), fundada em 2010. A competição acontece anualmente, principalmente entre os meses de abril e julho, envolvendo diretamente cerca de 1300 atletas e 150 diretores, sendo responsável por mais de 500 empregos indiretos e 8 diretos.

A primeira edição do campeonato foi realizada em 2013, tendo como seu primeiro campeão o Raça Belford Roxo. 

Abaixo, tabela de todos os campeões:

AnoCampeão
2013Raça Belford Roxo
2014Vilar Novo
2015São Francisco e Venus
2016Tulipão
2017Tulipão
2018Aratangi
2019Barça Japeri
2020Barça Japeri
2021União Eterna
2022União Eterna
2023Point Parque
2024Chaparral
2025Pombal
2026Cabuçu

Neste presente ano ocorreu a 14° edição que foi disputada por 12 equipes de 04 cidades diferentes da baixada (Belford Roxo, Japeri, Paracambi e Nova Iguaçu), divididos em quatro grupos através de sorteio. A final foi entre Cabuçu x Barça Japeri, com o time de Nova Iguaçu levantando a taça ao final após ganhar a partida por 1×0.

Imagem 1: Momento da comemoração após o gol do título de Cabuçu, final do Brasileirão da Baixada 2026.

Fonte: RBC Esportes

O campeonato é um importante instrumento de promoção do lazer e da economia através do esporte para região. Nos dias de jogos a economia das cidades é aquecida com o aumento do comércio local, e para os clubes, há o patrocínio de empresas e políticos para a montagem do elenco. Outro fator importantíssimo é a complementação da renda de atletas amadores que ganham a vida exercendo outra profissão, mas recebem “diárias” por jogo o que ajuda ao final do mês, e até mesmo para os atletas que já estão em clubes profissionais, mas ainda precisam de outras fontes de rendas para se manterem. 

O futebol milionário no Brasil se concentra na elite do Campeonato Brasileiro, se estendendo, até certo ponto, à série B. Mas abaixo disso, a realidade é outra, clubes e atletas travam uma árdua batalha para viverem do futebol. Com a falta de um calendário que abranja todo o ano, os clubes de série C e, principalmente Série D, que caiem no início dessas competições, ficam meses sem entrar novamente em campo, o que prejudica sua renda e torna impossível manter um time, que é desmantelado ao fim de cada competição, sendo necessário sua completa reformulação para competição seguinte.

Buscando resolver tal questão, especialistas como o Irlan Simões vem defendendo a reformulação dos campeonatos estaduais e a criação de uma série E (Simões, 2024). Por outro lado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou mudanças nas séries C e D, bem como nas copas regionais e a criação de uma nova, tudo isso com a finalidade de preencher o calendário dos clubes de menor investimento que sofrem com a falta de calendário, sendo essas mudanças postas em práticas a partir deste ano (CBF, 2025). Contudo essas mudanças apresentadas pela CBF não são suficientes para as equipes que são eliminadas precocemente dessas competições.

Dessa maneira, os campeonatos amadores surgem como refúgio dos atletas profissionais que são demitidos após o seu clube ser eliminado precocemente, mas também como complementação de renda para esses atletas que, mesmo empregados, não são tão bem remunerados.

Em 2025 eu estive presente na final do campeonato Brasileirão da Baixada, a partida, antes marcada para às 11h, começou apenas depois do meio-dia. Esse atraso já era esperado, pois ambas equipes possuíam jogadores contratados que atuavam no futebol profissional e que saíram do treino desses clubes direto para o campo do Miguel Couto disputar a final.

Por outro lado, do ponto de vista do torcedor, o Brasileirão da Baixada serve como palco para a execução do ritual de torcer de diversas torcidas que invertem a sociabilidade do futebol da metrópole. A maioria dos clubes que disputam o campeonato possuem torcidas organizadas que são formadas a partir da ativação de uma identidade secundária (clubes locais) capaz de sobrepor a identidade primária (clubes da metrópole), permitindo novas maneiras de sociabilidade entre os torcedores locais (Moutta,2025).

Assim, o Brasileirão da Baixada, organizado pela ACBF, é um importante vetor cultural e econômico da região da Baixada Fluminense que impacta diretamente a vida de milhares de pessoas.

Referências

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). CBF anuncia novo calendário do futebol profissional masculino. Rio de Janeiro: CBF, 1 out. 2025. Disponível em: https://www.cbf.com.br/a-cbf/por-dentro-da-cbf/comissao-dopagem/substancias-de-abuso/cbf-anuncia-novo-calendario-do-futebol-profissional-masculino. Acesso em: 5 ago. 2026.

MOUTTA, Lucas. Rivalidade e União: Formas de Sociabilidades dos Torcedores Organizados de Paracambi. Dissertação (Mestrado em Justiça e Segurança) – Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2026. Não publicada.

SIMÕES, Irlan. Por que os Estaduais estão matando os clubes tradicionais. Blog do Irlan Simões – ge, 5 jan. 2024. Disponível em: https://ge.globo.com/blogs/blog-do-irlan-simoes/post/2024/01/05/por-que-os-estaduais-estao-matando-os-clubes-tradicionais.ghtml. Acesso em 01 de agosto de 2026.

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